Criar é um prazer, preservar é uma obrigação!

sábado, 13 de julho de 2013

Singamose II (caça ao verme)

Nos últimos meses tem chegado à redação da revista um número muito grande de dúvidas e a respeito de Singamose ou Pevite, por esses mesmos motivos resolvemos complementar as informações , publicadas anteriormente em uma outra edição da revista "Passarinheiros & Cia" e o Dr. Luiz Alberto Shimaoka. Como dissemos , a Singamose ou Pevite é uma doença provocada por um verme traqueal que afeta o aparelho respiratório das aves, levando a alterações que vão desde leves mudanças na respiração até mesmo à morte.
No meio dos criadores de pássaros a doença é conhecida com pevite , e acredito que a grande maioria a conhece como pevite e acredito que muitos já ouviram falar a respeito e pode até mesmo ter uma ideia mais ou menos certa , da dimensão do problema.
A doença é ocasionada por um verme respiratório que vive ao nível da traqueia e pulmões de muitas aves domésticas e silvestre. O verme tem coloração avermelhada , onde normalmente o macho e a fêmea ficam únicos em forma de y (também conhecido como verme forquilha, pelas pessoas mais antigas e que tinham contato com granjas de galinhas , onde a doença era relativamente comum) em cópula constante . Os vermes machos e as fêmeas adultas ficam em constante “cruza” e são os responsáveis pela produção e disseminação do ambiente. O macho mede entre 2 a 6 mm de comprimento e a fêmea de 5 a 40 mm. O tamanho do verme normalmente é proporcional ao tamanho da ave afetada , ou seja o parasita . Aves pequenas , como um canário , o parasita dificilmente ultrapassará 4 a 5 mm de comprimento . 

Os vermes adultos vão se localizar e se instalar na traqueia e brônquios da ave afetada , enquanto as larvas e formas imaturas irão se alojar em pulmões sacos aéreos e tecidos próximos a estes. 

Deste modo a sintomatologia se dá pela própria ação direta do parasita no local da fixação do mesmo , ou seja , se for em nível de traqueia podemos observar os sinais como tosse e espirros e se for pulmonar como dificuldade respiratória e pneumonia . 

As larvas adultas que vivem na traqueia das aves põe os ovos e estes são “ empurrados” pelos cílios traqueias para fora , como forma de proteção , sendo então expectorados pela boca ou narina ou engolidos e eliminados nas fezes das aves , contaminando assim o ambiente . 

Após serem eliminados pela aves estes ovos podem ser engolidos ou espalhados por hospedeiros intermediários ou romperem-se alguns dias depois liberando uma larva e contaminando o meio ambiente. 

Esta larva tem o poder de contaminar tanto as aves como os hospedeiros intermediários . Lembrar que os hospedeiros intermediários são aqueles que podem “ hospedar” o agente de uma doença , carregando a forma nova da larva de um lugar para o outro , como exemplos podemos citas as minhocas , tatuzinhos , caramujos , lesmas, etc. , preservando assim o parasita das condições agressivas do meio ambiente, como secas , ventos , sol , entre outras. 

Se estas larvas forem engolida pelo hospedeiro intermediário elas vão formas um cisto na musculatura da mesma , e assim podem se manter vivas por vários anos . Agora, se forem engolidas pelos hospedeiros definitivos ( as aves) elas vão para o intestino , passam pela parede do mesmo e caem na corrente sanguínea por onde têm acesso a vários órgãos como o fígado , coração e pulmões . Após atingir os pulmões , em 3 a 4 dias , se tornam adultas e vão ser encontradas na traqueia das aves , fechando assim o seu ciclo de vida dela . O tempo de ser engolido até atingir a traqueia é de aproximadamente 7 dias. 

Como sinais da doença poderemos ter vários sintomas como , por exemplo: tosse, irritabilidade, rouquidão ou ronqueira , tosse assobiada , dificuldade de respirar , sinais de como se estivessem engolindo algo , abrir e fechar o bico podem ter “ hiperqueratose” de língua ( formação de uma “capa” mais espessa sobre língua levando a sinais como de coçar o céu do bico com a mesma ) , esticar de pescoço, engasgos , chegando até mesmo a uma pneumonia e morte. 

Depois de instalado, ocorre a inflamação da traqueia e brônquios , levando à formação de secreções catarrais e purulentas, dependendo pode ocorrer a formação de bolsas de pus e abscessos ( que é a coleção de pus envolto por uma cápsula) e consequentemente abstrusão da traqueia e morte da ave por asfixia. Normalmente aves novas são mais sensíveis ao problema e o quadro é mais agressivo. Um único casal de vermes parasitando a traqueia pode provocar a morte de uma ave , normalmente são encontrados mais de dois pares (casais) 

O diagnóstico pode ser feito por:
- Sinais Clínicos - através do exame clínico , vistoria de traqueia e imediações, entre outros; 
- Exame de laboratório com o exame de fezes – para detectar possíveis ovos do parasita ; 
- Em aves mortas através de necropsia com abertura da ave morte e a localização do parasita na traqueia ou larvas em brônquios ou pulmões ( exame histopatológico) 

Como método de prevenção poderá: 
- Separar as aves adultas das recém nascidas, evitando-se o contágio de possíveis aves adultas doentes com filhotes , pois estes são mais sensíveis; 
- Isolar as aves doentes, evitando-se a disseminação do problema 
- Sacrificar as aves em estado grave , pois algumas aves devido à gravidade do problema podem ficar inutilizadas para o bom andamento do criatório. As aves selecionadas para o sacrifício são aquelas que podem possuir uma grande carga de vermes, colocando em risco as aves sadias e as que ficaram com sequelas da doença, sem expectativa de melhora e sobrevida após o tratamento. 
- Eliminar de modo adequado as fezes e dejetos, evitando-se assim novas contaminações novos casos; 
- Combater minhocas, moluscos, insetos , etc.. , que podem espalhar a doença no criatório. 
- Fazer periodicamente exame de fezes, porque com isso poderemos detectar aves que possam estar contaminadas com o parasita , quebrando-se assim o seu ciclo de vida; 
- Manter a higiene dos bebedouros, comedouros e gaiolas, diminuindo as chances de haver uma sobrecarga de ovos de vermes e consequentemente a disseminação no plantel. 

O diagnóstico e tratamento devem ser feitos por uma profissional da área que saberá orientar e medicar de acordo com o grau de comprometimento das aves doentes , pois cada caso é um caso. Chegam-nos, diariamente, muitas histórias de criadores, que por processo mecânico manual, estão arrancando o engrossamento da língua acreditando assim , estarem eliminando o problema , o que não ocorre . Com este tipo de procedimento só estaremos expondo nossas aves a um grande risco de vida e sem necessidade de tal , pois o parasita está alojado na traquéia onde nossos dedos não têm acesso. Só estaríamos tentando eliminar o sintoma e não a causa.

Agradecimentos.:
» Revista Passarinheiros & Cia
» Dr Luiz Alberto Shimaoka - Clinica veterinária Shimaoka
» Veterinário atuante em Aves Exóticas e Silvestres - CRMV 6003

5 comentários

Gustavo Barbosa disse...

Bom dia. os meus agapornis estaão sadio pórem eu perdir dois com problemas respiratorios e não soube fazer o procedimento correto e colocava o medicamento no seu bico mas eles não resistiram,um balançava a cabeça e saia uma gosma branca e depois não conseguia voar e ficava no chao da gaiola.

aldenis jose disse...

A explicacao sobre o a doence e exelente. Mas faltava indicacao de um remdeio eficaz ?
Gostaria q um profissional da are nos indicasse um remedio por gentiliza

aldenis jose disse...

A explicacao sobre o a doence e exelente. Mas faltava indicacao de um remdeio eficaz ?
Gostaria q um profissional da are nos indicasse um remedio por gentiliza

funk é pra quem gosta disse...

Eu uso ivermectina para aves , 0,20 para intender melhor pegue 1 ml e divida em 5 frango aplique na coxa , ou no perto da cloaca ,sobre cutânea da aves ,,tira queda . eu usei o dectomax injetavel .

Mike Puche disse...

Alguem mais usa ivermectina injetável para singamose ? É seguro ? Qual a dosagem?

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